VOCÊ NÃO ESTÁ SOZINHA!

Essa jornada de fazer o que eu amo na vida é uma verdadeira montanha russa. Mas, tenho descoberto a cada dia que não estou sozinha e que, acredite, essa montanha russa tá cheinha de gente! Todo mundo ansioso na subida, colocando a mãozinha pra cima e gritando loucamente na descida. A gente sente medo, frustração, ansiedade, coragem, alegria, satisfação. Sair fora da trilha da Floresta das Trevas (referência à “O Hobbit” aqui) dá um medo danado, você sente que pode ser terrivelmente perigoso, mas está em uma busca desesperada por alimento. Você faz de coração, só que – como já disse em nesse texto aqui – não recebemos as ferramentas para enfrentar a situação. Por outro lado, quando fazemos certas escolhas parece que o universo vai nos enviando as soluções, nos mostrando que estamos no caminho certo. É aquilo que chamamos sincronicidade.

A beleza dessa caminhada é perceber que ainda que não tenhamos todos os saberes necessários para essa mudança não estamos sozinhas, tem gente que já trilhou esse caminho também ou que, pelo menos, está em consonância com aquilo que estamos buscando. Não precisamos, toda a vez, inventar a roda e sincronicamente, essas pessoas vão aparecendo na nossa vida e mostrando a caixa de ferramentas que elas já possuem e que generosamente estão dispostas a compartilhar. Claro, tentando achar as migalhas de pão na trilha, já encontrei de tudo um pouco. Tem muito cara na internet vendendo coaching agressivo e que mais parece que vão metralhar você com a pistola da vitória e do sucesso. Mais do mesmo, no final das contas, com uma demão do verniz da inovação.  

Mas, foi só nessa semana que me dei totalmente conta e fiquei profundamente feliz quando percebi que essa turma na “minha” montanha russa eram mulheres. Operando a montanha russa, ajudando as amigas a colocarem o cinto, lembrando para aproveitar o passeio, gritando no sobe e desce, gargalhando no final, se abraçando, se acolhendo. Sim! Esse novo mundo que desponta no horizonte nasce do coração da mulherada! Falando sobre planejamento com propósito, empreender criativo, educação para paz, disciplina positiva, desescolarização, saúde da mulher, literatura infantil, escrita criativa, coworking para mulheres.

E se tem como isso ser mais lindo do que já é, elas estão falando sobre ser foda! Sobre fazer, sim, com o coração, com amor, com alegria, com acolhimento e respeito, mas sem vergonha de ser quem somos, de colocar pro mundo aquilo que acreditamos, dizendo tudo sem precisar mudar a forma, sem precisar ser “meio homenzinho” para enfrentar o mundão. Por isso, seja foda! Vai, faz e não tenha vergonha de enfrentar essa loucura que insiste em te dizer pra ser assim ou assada. Cria e realiza do teu jeito. Você está certa, sim! Olha no espelho, te dá um abraço e repete bem alto que o mundo só pode ser incrível se você colocar a pitada do seu salzinho. Não é errado criar um negócio amoroso, não é feio querer ficar mais com a família, não é loucura viver da sua arte. Você não precisa colocar essa armadura e andar com uma espada na cintura. O mundo, definitivamente, está precisando de muito mais abraço do que de palmada.  

Só poderia fechar esse texto com uma citação da dona da minha cabeceira. Clarissa Pinkola Estés (porque se ainda não leu “Mulheres que correm com lobos”, corre ler!) e ao invés de escolher uma, eu simplesmente abri o livro porque tinha certeza que o que saísse cairia como uma luva. Segue então o que veio, sincrônica e lindamente:

Para manter a nossa alegria, às vezes temos de lutar por ela. Temos de nos fortalecer e ir fundo, combatendo da forma que considerarmos mais astuta. A fim de nos prepararmos para o sítio, podemos ter de abdicar de muitos confortos por algum tempo. Podemos viver sem a maioria das coisas por longos períodos, praticamente sem qualquer coisa, mas não sem a nossa alegria, não sem aqueles sapatos vermelhos feitos à mão.

O verdadeiro milagre da individuação e resgate da Mulher Selvagem está em que todos nós começamos o processo antes de estarmos prontas, antes de termos a força suficiente, o conhecimento suficiente. Começamos um diálogo com pensamentos e sentimentos que tanto nos tocam com delicadeza quanto trovejam dentro de nós. Reagimos antes de saber falar a língua, antes de saber as respostas e antes de saber exatamente com quem estamos falando.

No entanto, à semelhança da mãe loba que ensina seus filhotes a caçar e a ter cuidado, é essa a forma pela qual a Mulher Selvagem ganha corpo através de nós. Começamos a falar com a sua voz, adotando seu ponto de vista e seus valores. Ela nos ensina a enviar a mensagem da nossa volta a quem for como nós.

Conheço alguns escritores que tem este lema colado acima da sua escrivaninha. Conheço uma que o leva dobrado dentro do sapato. É um trecho de um poema de Charles Simic que serve de orientação definitiva para todas nós. “Quem não sabe uivar não encontrará sua matilha.”

Se você quiser reconvocar a Mulher Selvagem, recuse-se a ficar no cativeiro. Com os instintos aguçados para ter equilíbrio, salta para onde bem entender, uive à vontade, apanhe o que estiver à mão, descubra tudo o que puder, deixe que seus olhos revelem seus sentimentos, examine tudo, veja o que puder ver. Dance usando sapatos vermelhos, mas certifique-se de que eles sejam os que você mesma fez à mão. Você será uma mulher cheia de vida.” (pg. 319 e 320 do livro Mulheres que correm com os lobos.)

Sim, eu poderia ter transcrito apenas um parágrafo mas não consegui! Esse é o fechamento do capítulo 8: A preservação do self. Em que ela fala a partir da história “Sapatinhos Vermelhos”. Seguimos cheias de vida meninas!

4 comentários

  1. “estar mais com a família…” Frase linda em um mundo que nos quer individualizados, desconectados e por fim, perdidos em tantos sentimentos que acabamos por não nos permitirmos a vivenciar aquilo que realmente nos deixa felizes. Como se a felicidade não fosse algo a ser sentido e somente buscado. Tão lindas as tuas colocações. Amo ler o que escreves.

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